Uma década depois de apresentar ao mundo uma jovem determinada a atravessar os limites de sua ilha, Moana retorna aos cinemas em uma versão live-action.
A nova produção da Disney estreou em 10 de julho de 2026, com Catherine Laga’aia no papel principal e Dwayne Johnson novamente como o semideus Maui, personagem que ele dublou na animação de 2016. Dirigido por Thomas Kail, o filme revisita a jornada pelo oceano preservando as canções, os personagens e a conexão com as culturas das ilhas do Pacífico.
A história permanece conhecida: escolhida pelo oceano, Moana deixa Motunui e atravessa o recife ao lado de Maui para restaurar a prosperidade de seu povo. A diferença está na possibilidade de transformar paisagens, performances e tradições culturais em uma experiência mais física e humana.
Por que revisitar uma animação tão recente?
A proximidade entre as duas versões inevitavelmente provoca uma pergunta: por que transformar em live-action um filme lançado há apenas dez anos?
Para a Disney, Moana deixou rapidamente de ser apenas uma animação de sucesso. Tornou-se uma de suas franquias modernas mais duradouras, impulsionada pela permanência do primeiro filme nas plataformas de streaming e pela expansão de seu universo.
Mas existe também uma dimensão pessoal.
Dwayne Johnson, que possui ascendência samoana, já declarou que sua ligação com Maui está relacionada à memória de seu avô, o lutador e alto chefe samoano Peter Maivia. Para o ator e produtor, retornar ao personagem significa celebrar a cultura que carrega em sua história familiar.
Assim, o projeto não se apresenta apenas como uma atualização visual. Ele procura funcionar como homenagem à ancestralidade, à navegação e à força das comunidades polinésias.
Catherine Laga’aia assume o leme
A responsabilidade de interpretar uma personagem já tão reconhecida ficou com Catherine Laga’aia, jovem atriz de Sydney que faz sua estreia em um longa-metragem.
Ela foi escolhida após uma busca mundial que reuniu milhares de candidatas. Segundo o diretor Thomas Kail, sua presença diante da câmera se destacou imediatamente. A atriz, no entanto, evitou simplesmente reproduzir a interpretação de Auli’i Cravalho, voz original de Moana e produtora executiva da nova versão.
“Eu precisava torná-la minha”, afirmou Laga’aia ao falar sobre a construção da personagem.
Sua escolha amplia um dos aspectos mais relevantes da franquia: a possibilidade de crianças descendentes das culturas do Pacífico se reconhecerem em uma protagonista corajosa, curiosa e conectada às próprias origens.
A produção reuniu mais de 200 intérpretes vindos das ilhas do Pacífico. O elenco principal também inclui John Tui como o chefe Tui, Frankie Adams como Sina e Rena Owen como a avó Tala.
Uma história que não pretende abandonar suas origens
A nova versão não procura transformar radicalmente a narrativa conhecida. Sua ambição está em reencená-la com novas paisagens, corpos e emoções, sem perder a essência que tornou o filme original tão significativo.
A trilha sonora permanece central. Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foa’i e Mark Mancina retornam ao universo musical da produção, que também apresenta “Along the Way”, nova canção interpretada por Laga’aia, Johnson e Auli’i Cravalho. A participação das duas Moanas cria uma passagem simbólica entre a animação e o live-action.
É justamente nesse encontro entre permanência e renovação que o filme encontra sua razão de existir.
Moana continua falando sobre ir além do lugar conhecido, escutar a própria identidade e compreender que coragem não significa ausência de medo. Significa aceitar o chamado mesmo quando o caminho ainda não está visível.
A nova adaptação talvez não precise reinventar completamente essa mensagem.
Seu papel pode ser mantê-la viva para outra geração — permitindo que novas crianças encontrem em Moana não apenas uma heroína, mas a liberdade de imaginar até onde também poderão chegar.